Retornam as CEBs – Notícia publicada no site da Rádio Vaticano

30/12/2013

Elas se reunirão no Brasil na primeira semana de janeiro

Alver Metalli
Buenos Aires

068b120ffbNunca foram extintas, para dizer a verdade, mas nos anos de João Paulo II e de Bento XVI entraram num cone de sombra. Agora voltam a falar de si, a refletir sobre a sua missão e situação na Igreja do Papa latino-americano. Farão isso no Brasil em janeiro, num lugar especial, isto é, que viu o seu nascimento e o seu maior desenvolvimento.

Em Puebla, no México, em 1978, as CEBs – como eram conhecidas – recebem a sua consagração depois dos inícios em 1968. “Tornaram-se maduras e se multiplicaram sobretudo em alguns países, tanto que agora constituem um dos motivos de alegria e esperança para a Igreja” – escreviam os bispos no documento final da terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-americano. “ Em comunhão com o bispo, como havia sido dito em Medellin, elas se transformaram em alavanca  de evangelização e em promotoras de libertação e desenvolvimento”. Entre as recomendações dirigidas pela Conferência ao restante da Igreja da América Latina figurava também aquela de reconhecer “a validade da esperança das comunidades eclesiais de base” e estimular “o seu desenvolvimento” (Puebla n. 156).

Puebla reserva um especial capítulo às comunidades eclesiais de base; chama-as de “esperança da Igreja”, descreve-as como “lugares propícios ao amadurecimento da fé”. Naqueles anos, marcados pelos regimes autoritários em muitas partes do continente, as CEBs deitavam raízes nos setores pobres: subúrbios, favelas, cidades-satélites, vilas operárias, zonas marginais e periferias de todo gênero. Não por acaso o ímpeto mais forte era registrado no Brasil, um país em plena revolução industrial atravessado por grandes fenômenos de migração interna, de urbanização acelerada, de crescimento selvagem da cidade, dos serviços sociais carentes ou inexistentes. As comunidades de base surgem ao redor das igrejas apenas construídas, quarteirões abusivos e sem serviços, terrenos invadidos pelas massas de agricultores em via de urbanização, onde se expõem a urgentes necessidades como a casa, a eletrificação, a água potável, esgoto e higiene urbana em geral.

No Brasil as CEBs proliferam num momento de suspensão da normal participação política – a ditadura militar  de 1964 a 1985 – e se tornam quase um partido político de reivindicações sociais lá onde os partidos não podiam, agir.
Quinze anos depois, em Santo Domingo, onde a Igreja do continente reúne pela quarta vez as suas forças gerais, o clima mudou muito. Fala-se – pela primeira vez – de “novos movimentos apostólicos”. Continua-se a  referência também às comunidades de base, mas com menos otimismo, ou melhor, sempre com certa suspeita. Nas discussões e nas reflexões de tantos autorizados participantes se percebe cautela, desconfiança, alarme; os tons são preocupados; observa-se que tantas comunidades são “vítimas de manipulação ideológica ou política”. Em Santo Domingo se ratifica a validade das CEBs mas se sublinham os riscos e se recomenda a exigência de definir critérios de eclesialidade. Pela primeira vez aparece no documento conclusivo da Conferência um capítulo sobre os movimentos apostólicos: “É necessário acompanhar os movimentos  num processo de inculturação mais definido e promover a formação de movimentos com maior caracterização latino-americana (Santo Domingo n. 102)”.

A Conferência de Aparecida – 30 anos depois daquela de Puebla e 15 depois de Santo Domingo – recupera as comunidades de base dentro de um impulso fortemente missionário. O lugar privilegiado  da comunhão e da missão volta a ser a paróquia “compreendida como comunidade de comunidades, espaço de iniciação cristã, de educação e celebração da fé, aberta à diversidade dos carismas, serviços e ministérios”. A paróquia é vista como integradora de comunidades e movimentos, tanto locais como apostólicos. É uma Igreja de baixo aquela que se desenha, feita de pequenas realidades de base que aderem ao território em todos os seus cantos.

Com o Papa Francisco o momento volta a tornar-se propício para as CEBs. Também por isso, os delegados se reunirão no Brasil, na cidade de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, de 7 a 11 de janeiro. “Será um momento de reafirmar o papel das CEBs na Igreja” – escrevem os promotores  – “ e definir a sua importância como propulsoras de mudança nas diversas realidades do Brasil”. A reunião terá como tema “Justiça e profecia a serviço da vida” e como palavra de ordem “O anúncio do Reino no campo e na cidade”. São previstos 4 mil delegados representando todo o Brasil. “Nesta ocasião” – se lê no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – estão previstas visitas a paróquias e comunidades, testemunhos de luta, desafios e esperança, momentos de celebrações e uma feira de Economia Solidária e do Comércio Justo”.

Em tempo: A Diocese de Blumenau terá também representantes neste importante encontro, em Juazeiro do Norte. Nossas orações os acompanhem para que tenham boa viagem e façam bom proveito do nacional e promissor evento!

Traduzido do italiano por Pe. Raul Kestring – 02/01/2014

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Versão original italiana:

Tornano le comunità di base (30/12/2013)

Comunità latinoamericana Si riuniranno in Brasile la prima settimana di gennaio

Alver Metalli
Buenos Aires

Non si sono mai estinte, a dire il vero, ma negli anni di Giovanni Paolo II e di Benedetto XVI sono entrate in un cono d’ombra. Adesso tornano a parlare di sé, a riflettere sulla loro missione e il loro ruolo nella Chiesa del Papa latinoamericano. Lo faranno in Brasile a gennaio, nel paese, cioè, che ne ha visto la nascita e il maggior sviluppo.

A Puebla, in Messico, nel 1978, le CEBs – com’erano conosciute – ricevono la loro consacrazione dopo gli inizi, nel 1968. “Sono diventate mature e si sono moltiplicate soprattutto in alcuni paesi, tanto che ora costituiscono uno dei motivi di gioia e di speranza per la Chiesa” scrivevano i vescovi nel documento finale della terza Conferenza generale dell’episcopato latinoamericano. “In comunione con il vescovo, com’era stato chiesto a Medellín, esse si sono trasformate in fulcri di evangelizzazione ed in operatrici di liberazione e sviluppo”. Tra le raccomandazioni rivolte dalla Conferenza al resto delle chiese dell’America Latina figurava anche quella di riconoscere “la validità dell’esperienza delle comunità ecclesiali di base” e stimolare “il loro sviluppo (Puebla n. 156)”.

Puebla riserva uno speciale capitolo alle Comunità ecclesiali di base; le chiama “speranza della Chiesa”, le descrive come “luoghi propizi alla maturazione della fede”. In quegli anni, contrassegnati da regimi autoritari in molta parte del continente, le CEBs mettevano radici nei settori poveri: suburbi urbani, favelas, città satellite, bidonville, zone marginali e periferie di ogni genere. Non a caso l’impeto più forte lo registravano in Brasile, un paese in piena rivoluzione industriale attraversato da grandi fenomeni di immigrazione interna, di urbanizzazione accelerata, di crescita selvaggia della città, dai servizi sociali carenti o inesistenti. Le Comunità di base sorgono attorno a chiese mal edificate, quartieri abusivi e senza servizi, terreni invasi da masse di contadini in via di urbanizzazione, dove si fanno carico di bisogni elementari come la casa, l’elettrificazione, l’acqua potabile, le fognature e l’igiene urbana in generale. In Brasile le CEBs prolificano in un momento di sospensione della normale dialettica politica – la dittatura militare dal 1964 al 1985 – e divengono un fattore non immediatamente partitico di rivendicazione sociale là dove i partiti non potevano agire.

Quindici anni dopo, a Santo Domingo, dove la Chiesa del continente riunisce per la quarta volta i suoi stati generali, il clima è moto cambiato. Si parla – per la prima volta – di “nuovi movimenti apostolici”. Ci si continua a riferire anche alle Comunità ecclesiali di base, ma con meno ottimismo, anzi, ormai con un certo sospetto. Nelle discussioni e nelle riflessioni di tanti autorevoli partecipanti si coglie cautela, diffidenza, allarme; i toni sono preoccupati; si osserva che tante comunità sono “vittima di manipolazione ideologica o politica”. A Santo Domingo si ratifica la validità delle CEBs ma si sottolineano i rischi e si avverte l’esigenza di definire dei criteri di ecclesialità. Per la prima volta compare nel documento conclusivo della conferenza un capitolo sui movimenti apostolici: “E’ necessario accompagnare i movimenti in un processo di inculturazione più definito e promuovere la formazione di movimenti con una maggior caratterizzazione latinoamericana (Santo Domingo n. 102)”.

La conferenza di Aparecida – 30 anni dopo quella di Puebla e 15 da Santo Domingo – recupera le Comunità di base all’interno di un impulso fortemente missionario. Il luogo privilegiato della comunione e della missione torna ad essere la parrocchia “intesa come comunità di comunità, spazio di iniziazione cristiana, di educazione e celebrazione della fede, aperta alla diversità dei carismi, servizi e ministeri”. La parrocchia è vista come integratrice di comunità e movimenti, tanto d’ambiente come apostolici. E’ una Chiesa dal basso quella che si disegna, fatta di piccole realtà di base che aderiscono al territorio in tutte le sue pieghe.

Con papa Francesco il momento torna ad essere propizio per le CEB. Anche per questo i delegati si riuniranno in Brasile, nella cittadina di Juazeiro do Norte, nello stato del Ceará dal 7 all’11 gennaio. “Sarà un momento per riaffermare il ruolo delle CEBs all’interno della Chiesa” scrivono i promotori “e definire la loro importanza come motori di cambiamento nelle diverse realtà del Brasile”. Il raduno avrà come tema “Giustizia e profezia al servizio della vita” e come parola d’ordine “L’annuncio del Regno nelle campagne e nelle città”. Sono previsti 4 mila delegati in rappresentanza di tutto il Brasile. “In questa occasione” si legge nel sito della Conferenza nazionale dei vescovi brasiliani (Cnbb) “sono previste visite a parrocchie e comunità, testimonianze di lotta, sfida e speranza, momenti di celebrazione e una fiera dell’economia solidale e del commercio giusto”.

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Sobre ralk

Sou evangelizador, trabalho na Diocese de Blumenau nos setores de Comunicação e Ecumenismo.
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