Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 – CNBB

Campanha da Fraternidade Ecumênica
(
51ª Assembleia Nacional da CNBB)

Em ocasião do Jubileu do ano 2000 a Santa Sé emitiu normas para estimular em todas as Igrejas uma mais intensa vivência ecumênica, orientando para que, onde havia organismos de diálogo ecumênico, fossem favorecidas iniciativas de celebrações e atividades em conjunto.

A partir disso, surgiu a iniciativa da CNBB de entrar em contato com o CONIC para a vivência e a celebração da CF 2000 cujo lema foi: “POR UM MILÊNIO SEM EXCLUSÕES”. 

Não tem dúvida que esta iniciativa foi um sinal profético que bem correspondia ao espírito e às orientações da Exortação apostólica “Novo millennio ineunte”.

Não é uma novidade afirmar que nos anos seguintes, não só no Brasil, mas em âmbitos eclesiais mais amplos, iniciou uma fase mais difícil para o ecumenismo, depois do florescimento que despertou muitas esperanças na segunda metade do século passado.

Alguém chegou até a falar de “inverno” do ecumenismo, outros consideram esta conjuntura como um retorno necessário a um realismo que carrega o grande peso da separação vivida ao longo de muitos séculos outros enfim a enxergam como uma pausa de reflexão que permite recolher e valorizar os frutos do trabalho destas últimas décadas.

A este propósito escreve o Cardeal Kurt Koch, Presidente do Conselho para o Ecumenismo: “Se a desunião da Igreja de Jesus Cristo é o verdadeiro escândalo e contradiz a essência da “uma sancta”, então impõe-se a nós, cristãos e cristãs, a seguinte questão auto-crítica: nós ainda sentimos este doloroso escândalo da divisão do Corpo uno de Cristo, ou nos arranjamos  com este fato até mesmo nos conformando com ele? É minha mais profunda convicção que chegaremos a novos impulsos  no ecumenismo só quando tivermos a coragem e a humildade de olhar, de olhos abertos, para esse  escândalo que continua a existir. Portanto – concluía – sofro mais duramente na situação atual pelo fato de que, hoje, muitos cristãos e cristãs já não sentem, como realmente convém, essa dolorosa e anormal situação. Porque lá onde a divisão do Corpo de Cristo não é percebida como escândalo e não causa mais dor, lá o ecumenismo já se fez, a si mesmo, supérfluo.” (Palestra proferida no Curso anual para Bispos organizado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, no dia 8 de fevereiro de 2012)

Talvez seja mais alentador enxergar este momento histórico como um inverno que está passando, continuando cultivar, através do trabalho e de atitudes de diálogo persistentes em todas as Igrejas, a esperança cristã que garante a chegada de uma nova primavera.

Sem dúvida o sinal mais forte da nova primavera foi a eleição do novo bispo de Roma, o Papa Francisco, que despertou a esperança de novos tempos para a Igreja Católica e para o diálogo ecumênico. Ao receber no dia 30 de março, na sala Clementina representantes de Igrejas, comunidades eclesiais e de outras religiões reiterou “a firme vontade de prosseguir no diálogo ecumênico” e inter-religioso, recomendado pelo Concílio Vaticano II, que nestes últimos tempos proporcionou “não poucos frutos”.

No Brasil, assim como em outras partes do mundo, o que se apresenta como uma grande dificuldade é o universo complexo, diversificado e desafiador das assim chamadas igrejas e grupos neo-pentecostais. Com estes o diálogo não é fácil pelas suas posturas agressivas e proselitistas em relação à Igreja Católica e a outras Igrejas históricas, interpretação fundamentalista da Sagrada Escritura que dificulta o diálogo teológico e pelo interesse de todo tipo que eles acobertam.

Responder a posturas agressivas com agressividade não é atitude evangélica. Fechar a nossa porta porque outras se fecham significaria retroceder no caminho do diálogo.

“Responder às ofensas com amor e com a força da verdade!” é a atitude evangélica que o Papa Francisco apresentou para toda a Igreja quando é perseguida, domingo passado, dia 14/04, depois da oração do Regina coeli.

Baseados nesta atitude, grupos neo-pentecostais sérios, de postura dialogante, respeitosos em relação a outras denominações, sob a ação do Espírito, sentiram o apelo de construir unidade pela busca do caminho da santidade. Com numerosos destes grupos, junto com membros representantes de novas comunidades surgidas no seio da Igreja Católica, a Comissão de ecumenismo iniciou há 5 anos encontros anuais que prometem dar frutos abundantes e se constituem como que exemplares no caminho do diálogo ecumênico com o mundo neo-pentecostal.

Mesmo diante dos desafios e dificuldades que e encontram em construir pontes e canais de diálogo com cristãos de outras denominações, é necessário permanecer fiéis à oração de Jesus que pediu ao Pai o dom da unidade: “Pai, que todos sejam um para que o mundo creia!”

Além da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC), grande momento que favorece o ecumenismo espiritual no mundo inteiro, no Brasil se consolidou a prática da vivência ecumênica da CF, fruto do Jubileu do ano 2000, celebrada em seguida nos anos de 2005 e 2010.

Na avaliação feita após cada CF aparecem algumas dificuldades inerentes ao tempo que vivemos e que foram acima apresentadas, mas sobressaem muito mais os frutos colhidos e os avanços constatados sobretudo a nível de ecumenismo de povo com experiências concretas de oração em comum e de promoção humana. Eis uma detalhada avaliação feita pelo CONIC:

Descrição: 

As três Campanhas da Fraternidade Ecumênica transcenderam as fronteiras das Igrejas do CONIC e foram assumidas por vários organismos ecumênicos e organizações sociais que não têm incorporada, em sua natureza, a questão religiosa.

Cada uma das três Campanha da Fraternidade Ecumênica apresentou resultados específicos e apontou perspectivas de ação para o movimento ecumênico.

  1. Maior visibilidade para o movimento ecumênico;
  2. O fortalecimento do espaço-público da imagem de Igrejas que colaboram e trabalham conjuntamente, em contraposição à imagem de contraposição;
  3. Divulgação e fortalecimento de grupos ecumênicos que já estavam constituídos e criação de novos grupos. Destaca-se a importância das CFs para a criação dos CONICs regionais que, atualmente, somam 18.
  4. As temáticas propostas foram acolhidas positivamente pelas comunidades das igrejas-membros do CONIC;
  5. Foram realizados incontáveis seminários de formação em torno dos temas propostos;
  6. As coletas das CFs contribuíram para o fortalecimento de projetos de transformação social;
  7. Organização de setores de Ecumenismo em cada uma das Igrejas-membro do CONIC;
  8. Em todas as CFs foi possível identificar, nos regionais, a participação de Igrejas não membros do CONIC, algumas, inclusive, pentecostais.

Das três Campanhas, pode-se identificar que a segunda, em função da temática escolhida, “Solidariedade e Paz: Felizes os que promovem a Paz” foi a que gerou grande incidência pública. Foram resultados desta CFE: Os relatórios sobre Dignidade Humana no Brasil, ao todo foram editados 04 relatórios. Além disto, destacam-se a formação de multiplicadores para a paz e a criação de fóruns para a paz. Não pode ser ignorada a contribuição desta CFE para a constituição da Defensoria para a PAZ, com o objetivo de atuar como ouvidoria e observatório de promoção da cultura da paz e não violência. As Conferências da Paz foram outro desdobramento desta CFE.

A Campanha de 2010 tornou-se profética. Ao tocar na temática da economia e do mercado de consumo, acabou contribuindo para os debates sobre a crise econômica mundial, chamando a atenção para as consequências de uma economia financeirizada. Há que avaliar que o tema proposto não foi tão atrativo para as comunidades como os dois anos anteriores, no entanto cumpriu seu papel ao chamar a atenção para os modelos de desenvolvimento em curso no país. Esta Campanha foi importante para reafirmar a necessidade e a relevância de projetos de desenvolvimento local sustentável.

Lembra-se que das Igrejas do CONIC, além da Católica Romana, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) trabalha, tradicionalmente, um tema específico para cada ano. Neste sentido as Campanhas da Fraternidade Ecumênicas inserem-se em uma dinâmica já conhecida por parte das Igreja que integram o CONIC. Isso contribui para a aceitação da proposta por parte das comunidades.

 

Fundo Ecumênico de Solidariedade

Todas as três Campanhas da Fraternidade Ecumênicas constituíram o Fundo de Solidariedade. Nas Campanhas de 2000 e 2005 integraram o Conselho Gestor do Fundo as seguintes organizações: Caritas, CESE e CONIC, além de dois representantes das igrejas-membro do CONIC.

Em 2010, a gestão do Fundo ficou sob a responsabilidade da Caritas, Fundação Luterana de Diaconia e CONIC, além de um representante de cada igreja-membro.

Os projetos apoiados pelo Fundo Ecumênico de Solidariedade tinham sempre relação com o tema da Campanha. Neste sentido, os projetos apoiados priorizaram as seguintes áreas:

Campanha da Fraternidade 2000: projetos voltados para moradores de rua e população indígena;

Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2005: Educação para a paz, Cidadania e Direitos Humanos, Vítimas da violência e exclusão social;

Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010: projetos de desenvolvimento local sustentável.

 Valores totais:

CFE 2000:  R$ 1.786.718,12;
CFE 2005: R$ 2.737.203,69;
CFE 2010: R$ 4.674.251,29.

 O CONIC sempre se mostrou solícito em colaborar na elaboração dos textos de reflexão e das celebrações, respeitando as tradições das diversas Igrejas membros e continua  expressando a sua plena disponibilidade, não apenas no trabalho de preparação, mas sobretudo na animação e na motivação  dos fiéis das Igrejas membros em celebrar a CF como expressão de comunhão e como meio de fortalecer a unidade não só entre elas, mas em abertura a outras igrejas e comunidades eclesiais sensíveis à causa ecumênica.

As CF Ecumênicas proporcionam uma contínua aprendizagem. A cada edição destas Campanhas, mudanças se fazem necessárias para que elas sejam melhor vividas pelas Igrejas que com elas se comprometem. Por exemplo, é necessário rever os métodos de participação  das Igrejas membro para a próxima CF, solicitando a presença e competência não só de peritos, mas em primeiro lugar de representantes das Igrejas , com a tarefa de assumir o trabalho de “construção” da CF, a partir da escolha do tema e do lema, da elaboração dos subsídios, da sua vivência e execução quaresmal, da avaliação e da comunhão nos recursos.

Desafio maior, mas sempre presente no coração dos responsáveis das Igrejas membros do CONIC é ampliar a participação de outras igrejas ou comunidades eclesiais não filiadas a este organismo, envolvendo-a na realização da CF Ecumênica.

A CF, portanto, é chamada a ser ecumênica de fato, contribuindo à aproximação não apenas dos representantes das Igrejas, mas sobretudo das comunidades e dos fiéis, diante da sociedade em que vivemos.

Sejam-nos de estímulo e alento as palavras de Papa Francisco  no encontro acima citado.

“Sim, queridos irmãos e irmãs em Cristo, sintamo-nos todos intimamente unidos à oração do nosso Salvador na Última Ceia, àquela sua imploração ut unum sint. `Peçamos ao Pai misericordioso a graça de viver em plenitude aquela fé que recebemos, em dom, no dia do nosso Batismo, e de poder dar testemunho livre, feliz e corajoso dela.  Este será o melhor serviço que podemos prestar à causa da unidade entre os cristãos, um serviço de esperança para um mundo ainda marcado por divisões, contrastes e rivalidades. Quanto mais formos fiéis à sua vontade nos pensamentos, nas palavras e nas obras, tanto mais caminharemos efetiva e substancialmente para a unidade”.

A Assembleia dos bispos do ano passado tomou a decisão de reservar o ano 2015 para celebrar a CF em comemoração ao jubileu de ouro do Concilio Ecumênico Vaticano II,

Pospondo a celebração ecumênica da CF para 2016.

Portanto, a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso apresenta à 51ª Assembleia da CNBB, a proposta para a realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica, em 2016, na certeza de que ela fortalecerá as iniciativas ecumênicas surgidas e consolidadas a partir das CF Ecumênicas anteriores e será uma ocasião propícia para expressar de modo convincente e prático a vivência das orientações ecumênicas do Vaticano II e do magistério posterior.

 Aparecida, 18 de abril de 2013

 

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Sobre ralk

Sou evangelizador, trabalho na Diocese de Blumenau nos setores de Comunicação e Ecumenismo.
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