“Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8)

O fato de minha mãe, neste final de março, estar chegando aos 80 anos de idade (meu pai está nos 86), faz-me recordar o seu, o nosso engajamento em projetos de saúde comunitária. Houve tempos, lá pela década de 1970, em que a prefeitura de onde morávamos promovia hortas-modelo pelas comunidades do interior. Com outros projetos desenvolvidos nessa, objetivava-se fixar as pessoas no campo. Via-se e previa-se a inconveniência e a explosão do fenômeno do êxodo rural, com suas tristes consequências para as famílias e naturalmente para o país.

Naqueles tempos, minha mãe aceitou construir a tal horta-modelo. O plantio de verduras, num solo especialmente preparado, segundo as técnicas apropriadas, possibilitava ter esse importante alimento durante todos os meses do ano.

Nossa casa então, era mais visitada pelos  vizinhos e pessoas de outras comunidades, em vista de tomar contato com a promissora inovação rural. Minha mãe realizava-se realmente, unindo as orientações dos encarregados municipais às suas habilidades no cultivo das hortaliças.

Assim, não só a família tinha abundância de verduras, gerando a saúde correspondente, como também a vizinhança usufruía do projeto-piloto.  Esses vizinhos aprendiam o novo jeito de cultivar a horta e  levavam para suas casas muita alface (lisa, crespa e roxa), radicho (em italiano, “radici”) repolho (de cabeça, de folha e couve-flor), beterraba, cenoura, beringela, pepino, e tudo o que ali nascia e crescia vigorosamente. Os agrotóxicos eram absolutamente naturais (cinza, plantas com odores mais fortes…).

 Não havia pretensão de comércio e lucro nesse sentido.

Quanto bem isso fez para a família! A saúde ganhava e ampliava-se o relacionamento de amizade e colaboração com os vizinhos e muitas outras pessoas.

Outro fato que não esqueço foi a sugestão do Pe. Eduardo Summermattter, o primeiro sacerdote que conheci e que foi dos primeitos que atenderam a região onde morávamos. De espírito fortemente missionário, da Congregação Saletina (de N. Sra. da Salete), visitava as capelas e locais de celebrações utilizando-se do seu cavalo e depois da “aranha” (muitas chamam também de charrete). Nossa família tinha um relacionameno de verdadeira amizade com ele.

Em certa ocasião, visitando as famílias, ele chegou à nossa casa. Com a bênção da casa e da família, ele sugeriu ao meu pai a construção de um pomar com variedade de frutas, em vista da saúde de toda a família.

Meu pai, solícito e atencioso também neste aspecto, pôs em prática a sugestão do vigário. Escolheu uma área de mais ou menos 10.000 metros quadrados, uma hetária de terra. Ficava quase contígua à casa.

Ali plantou muitos tipos de frutas: laranja de diversas espécies (pocan, bergamota/tangerina, açúcar, natal, seleta, sangue), ameixa, pera, figo, maçã, pêssego, caqui, marmelo. E no meio do pomar, uma bela parreira de uva que se diversificava em preta, branca e côr de rosa.

Naquele pomar passamos muitas horas de verdadeiro prazer ingerindo apetitosas frutas e, assim, a saúde da família ganhou qualidade, estrutura para os embates da vida.

É preciso citar também que, naqueles tempos se achava muita fruta silvestre como gabiroba, cortiça, araçá, capote, ingá, amora, etc.. Além de melancia, melão, abóbora, que se cultivava na propriedade.

A preocupação da Igreja com a saúde das famílias e das pessoas continua nos dias de hoje. Está aí a Campanha da Fraternidade deste ano, com seu tema Fraternidade e Saúde Pùblica e seu lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8). Mais voltada para a Saúde Pública, concretamente para o Sistema Único de Saúde, o SUS, do governo, mas trazendo essa preocupação fundamental de todos, principalmente dos pais e mães que desejam sempre o melhor para seus filhos.

Não fosse uma alimentação saudável, naturalmente com com suas limitações, minha mãe e meu pai não estariam na faixa octogenária. Certamente não teriam resistido  aos desafios, e não foram poucos nem tão pequenos, que a vida lhes apresentou.

O mesmo se pode dizer dos filhos. Somos onze. Mesmo que o Maximino tenha recentemente partido para a eternidade, seremos sempre onze. Todos e todas fortes, sadios, íntegros físicamente, inteligentes, com suas famílias, trabalhando, sendo úteis à sociedade enfim.  Prova disso é que os primeiros três estão atingindo a faixa da terceira idade. O terceiro irmão, Januário, completará sessenta em dezembro deste ano.

A gratidão a Deus e a tantas pessoas que fizeram e fazem nossa caminhada é expontânea. Mesmo as pessoas e as situações difíceis que atravesamos, serviram para nos edificar e crescer. Nesse sentido, a gratidão parece envolver também a reconciliação. Deus foi e é bom e generoso para conosco. Sua misericórida realmente dura de geração em geração. Seu amor é eterno.

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Sobre ralk

Sou evangelizador, trabalho na Diocese de Blumenau nos setores de Comunicação e Ecumenismo.
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