«Quando vocês levantarem o Filho do Homem, sabereis que eu sou” (Jo 8,28)

 

Queres saber que força se esconde no sangue de Cristo? Vê de onde foi que ele começou a correr e qual é a sua origem: vem da cruz, do lado do Senhor. Estando Jesus já morto, diz o evangelho, mas ainda suspenso da cruz, veio um soldado «e abriu-Lhe o lado com um golpe de lança, e dele saiu sangue e água» (Jo 19,33-34). Esta água era o símbolo do batismo, e o sangue o símbolo dos mistérios eucarísticos. […] Foi, pois, um soldado que Lhe abriu o lado, perfurando a muralha do templo santo; e eu encontrei este tesouro, e fiz dele a minha fortuna. […]

«E dele saiu sangue e água». Não passes com indiferença por este mistério. […] Já te disse que esta água e este sangue são símbolo do batismo e dos mistérios eucarísticos. Ora, a Igreja nasceu destes dois sacramentos: deste banho do renascimento e da renovação no Espírito, ou seja, do batismo, e dos mistérios. Mas os sinais do batismo e dos mistérios saíram do lado de Cristo; consequentemente, Cristo constituiu a Igreja a partir do Seu lado, tal como formara Eva a partir do lado de Adão (Gn 2,22).

É por isso que Paulo afirma: Somos da Sua carne e dos Seus ossos (cf At 17,29; Gn 2,23), designando desse modo o lado do Senhor. Com efeito, assim como o Senhor tomou carne do lado de Adão para formar a mulher, assim também Cristo nos deu o sangue e a água do Seu lado para formar a Igreja. E, assim como retirou a carne do lado de Adão enquanto este dormia, assim também nos deu o sangue e a água depois da Sua morte […], porque desde agora a morte é um simples sono. Vistes como foi que Cristo Se uniu à Sua esposa? Vistes que alimento nos dá a todos? Foi deste alimento que nascemos, é com ele que nos alimentamos. Assim como a mulher gera os filhos do seu próprio sangue e os alimenta com o seu leite, assim também Cristo alimenta constantemente com o Seu sangue aqueles que gerou.

São João Crisóstomo (c. 345-407), Bispo de Antioquia e, mais tarde, de Constantinopla, Doutor da Igreja.
Catequeses batismais, n° 3, 16ss. (a partir da trad. bréviaire rev.; cf SC 50 bis, pp. 160ss.)

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Sobre ralk

Sou evangelizador, trabalho na Diocese de Blumenau nos setores de Comunicação e Ecumenismo.
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