Minhas memórias – um livro em andamento (1ª parte)

 

1. O mundo que comecei a ver e a sentir

Uma moldura inesquecível rodeou meus primeiros anos de vida. Nada tenho a invejar do paraíso de Adão e Eva. Considero este um primeiro e muito evidente sinal do amor do Criador para comigo.

         Rios maravilhosos

         A poluição e a escassez atingindo a água no planeta, hoje, levam-me a contemplar dois rios com os quais convivi nos tempos da infância. O “rio grande”, assim o denominávamos porque realmente era o maior da região. No mapa, seu nome oficial era e é ainda “Rio Itajaí do Oeste”. Tinha água abundante e límpida. Descia da serra e fertilizava toda a imensa várzea, que era ladeada por duas outras serras. Elas acompanhavam até a cidade de Taió, rumo ao infinito. O outro rio, bem menor, passava pertinho da nossa morada. Da janela da cozinha podia ser visto em boa distância. Calmamente, vinha descendo em linha quase reta. Fazia a volta embaixo do barranco contíguo à casa. Rumava, em seguida, depois de outros serpenteios, a 2 ou 3 kms de percurso, desaguar no “rio grande”. Muitíssimas vezes, da janela daquela saudosa morada, surpreendia-me a contemplá-lo.

         Além disso,

         Benditas fontes

Milhares de pequenas fontes podíamos encontrar por onde quer que andávamos. Nos pastos, nas roças, nos matos, à beira das estradas abundavam pequenos, médios e maiores cursos de água. Eram tão límpidos que, de quase todos, podia-se beber.

Densa floresta – Roças e pastos exigiam derrubadas

         Muitas árvores, muito verde, floresta virgem mesmo, eu vi ao redor da nossa casa. Aos poucos, era preciso derrubar a mata para fazer pastagens. As vacas de leite necessitavam de boa nutrição. Se não fossem bem alimentados, os cavalos de montaria, de arado e de carroça não desempenhariam seu imprescindível trabalho. 

Porcos também se criavam nos pastos. Para isso, as cercas deviam ser adequadas, pois esses bichos apreciavam muito as roças, principalmente as do vizinho.

         Paisagem dos “tocos”

Acostumei-me, então, a conviver com os “tocos”, logo depois da cerca do terreiro, da horta e do jardim que circundavam nossa morada. “Tocos” eram os pedaços de árvores que sobravam, após a derrubada. Mediam, mais ou menos, um metro de altura. Geralmente estavam “sapecados” pelo fogo que se ateava às árvores derrubadas e já secas, a fim de limpar o terreno.

Frutas deliciosas

Pe. Eduardo Summermather, pároco da paróquia de Taió, em visita à nossa casa, explicou a meu pai a importância das frutas para a saúde da família. Meu pai gostou da proposta. Então, pertinho de casa, tínhamos uma excelente parreira. Pêras, maçãs, laranjas de diversos tipos e sabores, ameixas, caquis, limões, melancias, melões, abóboras… Eram abundantes também as frutas silvestres: ingás, cortiças, cachos de tucuns, bananas, cocos, amoras, maracujás, chuchus, gabirobas…

2. O lar que me abrigou

Morávamos numa casa toda feita de madeira, de taboas e coberta de taboinhas. Só mais tarde, meu pai fez cobertura com telhas.

Entrava a luz da lua

Não existia “matajunta”, aquela lasca fina de taboa, que cobria as emendas, na parede. Ainda era artigo por demais sofisticado para se ter. Por isso, o clarão da lua, à noite, entrava no quarto de dormir. A chuva forte, empurrada pelo vento, entrava também. Muitas vezes, chegava a molhar até a cama, a mesa da sala e da cozinha.

Já se via, em muitos lugares, moradias pintadas com vistosas tintas. A nossa tinha a cor e o cheiro da madeira.

O inesquecível jardim

Uma cerca de sarrafos pontudos protegia a frente e o lado leste da construção. A frente apresentava belo jardim, com rosas, dálias, bocas-de-leão, cristas-de-galo, “marias-sem-vergonha”, brincos-de-princesa, primaveras, bambus-de-salão e outras plantas verdes.

Da estrada para a casa

A estrada ficava a uma distância de uns cento e cinqüenta metros da casa. Entrava-se, por uma porteira, no pasto. Seguia-se pela estrada aberta no meio do gramado. Próximo à casa, podia-se optar: ou entrar no terreiro, por uma segunda porteira, ou passar por uma porteirinha, passar pelo jardim e entrar na casa, pela porta da frente. Assim, atravessava-se o jardim até a escadaria da casa, percorrendo alguns metros de caprichado corredor de chão batido, ladeado pelas flores e pelo verde. 

A escadaria e as “rosas-de-santa Terezinha”

A escadaria de acesso à área de frente tinha uns seis ou sete degraus. Ao lado da subida, um pé de brancas “rosas-de-santa-Terezinha” estava sempre vigoroso e florido. Seus ramos assemelhavam-se a baraços que, apoiando-se na parede, subiam até o teto. Outros ramos dobravam-se para a frente e para os lados, enchendo de verde e branco todo o espaço daquele canto da casa.

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Sobre ralk

Sou evangelizador, trabalho na Diocese de Blumenau nos setores de Comunicação e Ecumenismo.
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